domingo, 22 de novembro de 2009

O poder transformador da gratidão - By kim ridley



Práticas simples podem nos reconectar com o fluxo da vida.

Minha vida transcorria sem surpresas no ano passado, quando o universo começou a enviar sinais para o despertar. Primeiramente, perdi meu emprego quando a revista que eu editava faliu. Um mês depois, meu pai foi para a UTI. Eu me senti como se a vida estivesse me descascando, como uma árvore.
Sem saber o que fazer, me dirigi para a casa dos meus pais. A vulnerabilidade deles me deixou terrificado. Visitava o meu pai todos os dias no hospital, tentando segurar as lágrimas enquanto, embaraçado, ficava ao seu lado na cama acariciando seus espessos cabelos brancos. Em casa, eu cozinhava, atendia ao telefone e lavava a louça. Uma tarde, segurei as mãos de minha mãe enquanto ela chorava: seu calor, ternura e vida me impressionaram. E foi quando o mais inesperado pensamento brotou de alguma fresta do meu coração:Sou tão abençoado por estar aqui agora.
Repentinamente, me senti bem-aventurado por ter tempo de estar com meus pais, de testemunhá-los, o que eu não poderia fazer se não tivesse perdido o emprego. Agora, tinha todo o tempo disponível.
E me senti ainda mais agradecido por esse presente do tempo quando meu pai voltou para casa. Agradecido pelas menores coisas: juntar os catálogos de sementes, assistir “sitcom” com ele, ouvir sua respiração enquanto ele dormia reclinado. Agradecido pelo vento frio no meu rosto enquanto eu atravessava o estacionamento do supermercado. Agradecido pelo amor e carinho de meu irmão, pela humanidade de minha mãe, pela lua que subia pelas árvores lá fora, na janela de meu velho quarto de dormir.
Olhando para trás, eu nunca teria escolhido a crise da doença de meu pai e da perda do emprego que eu gostava. Mas a vulnerabilidade dos meus pais – e a minha própria –  não me assustaram tanto assim naqueles dias. A gratidão abre os portões da ternura – ali, bem no meio do medo e da incerteza.
Desde então, comecei a fazer um esforço consciente para praticar a gratidão nas pequenas coisas de todo dia. Quando eu pratico, sinto-me muito mais conectado com o fluxo da vida, ao invés de isolado e sozinho nas minhas lutas e medos.
A gratidão pode ser uma poderosa prática de transformação. Os psicólogos Robert Emmons, da Universidade C. Davis e Michael McCullough, da Universidade de Miami, descobriram que a prática da gratidão pode realmente melhorar o nosso bem estar físico e emocional. O seu projeto em andamento de Pesquisa sobre Gratidão e Agradecimento, vem demonstrando que as pessoas que mantêm jornadas semanais de gratidão têm menos sintomas físicos, se exercitam mais, possuem uma melhor perspectiva de vida e atingem mais facilmente seus objetivos. Pessoas com doenças neuromusculares, que praticam diariamente a gratidão, “possuem melhor humor e energia“, sentem-se mais conectados com outros esentem-se mais otimistas com relação à vida,comparativamente a outro grupo de controle da pesquisa.
 “A prática da gratidão ajuda as pessoas a extrair o melhor da vida”, diz Emmons. “As pessoas também podem experimentar uma mudança geral, em direção a uma visão mais benevolente do mundo. Penso que é um tipo de mudança espiritual para algumas pessoas, pois as torna mais conscientes da vida como um presente.”
Para ajudar a fortalecer meu “músculo de gratidão”, pedi a Emmons e a vários praticantes inspiradores que compartilhassem suas sugestões.
1. Vejam o doador pro trás do presente. “Pedimos às pessoas que foquem todos os dias uma pessoa em particular que a beneficiou” diz Emmons. Isso é realmente gratidão. Não é simplesmente “o que“ te faz feliz. Pode ser qualquer pessoa, desde a esposa que te fez um café perfeito a alguém que empacotou suas compras.
2. Faça a você mesmo três perguntas todos os dias. Uma maneira poderosa de cultivar a gratidão é focar naquilo que está realmente acontecendo em nossas vidas, ao invés de cair na armadilha de reclamar e fazer drama, diz Gregg Krech, autor de “Naikan: Gratitude, Grace, and the Japanese Art of Self Reflection" (Naikan: Gratidão, Graça e a Arte Japonesa da Auto-Reflexão), e co-fundador do ToDo Institute em Monkton, Vermont. A prática básica de Naikan, traduzido como “ver interiormente”, consiste em fazer-se três perguntas todos os dias:
“O que recebi hoje?
O que eu dei?
Que problema causei?”.
Sem negar os aspectos difíceis da vida, Naikan coloca as coisas em perspectiva, diz Krech, que faz a si mesmo essas perguntas todas as noites.
 “Quando eu listo tudo o que recebo e o que eu dou todos os dias, o que eu tenho na coluna de doação é sempre tão menor do que na coluna de recebimentos”, ele diz. “À medida que nos tornamos conscientes de que recebemos tão mais do que damos, isso não apenas nos faz cultivar a gratidão, mas também um senso de querer dar algo em retorno para o mundo.”
3. Pratique, mesmo quando você não está com vontade. “Um dos erros que a maioria das pessoas de nossa cultura comete é pensar que temos que sentir gratidão para praticar gratidão”, diz a psicóloga Miriam Greenspan, autora de “Healing Through the Dark Emotions: The Wisdom of Grief, Fear, and Despair" (Curando Através das Emoções Sombrias: a Sabedoria da Mágoa, do Medo e Desespero).
Você pode praticar a qualquer momento – quando se lamenta, quando sente ansiedade diante de morte iminente na família, ou se você tem um filho deficiente. O que quer que alguém possa reunir como prece de gratidão (ok, eu ainda estou respirando, ou tenho amigos que se importam comigo) move a experiência de estar imerso no sofrimento de alguém para o momento presente, com uma perspectiva mais holística. Vemos que há sofrimento, mas há também gratidão, e podemos sustentar ambos ao mesmo tempo.
4. Faça do “obrigado(a)” o seu mantra. Cada momento oferece uma oportunidade para o agradecimento, diz Nancy Hathaway, professora sênior de dharma da Kwan Um Zen School e consultora familiar de plenitude da mente em Blue Hill, Maine. Ela usa “obrigada” como um mantra de retribuição para o presente momento. “No primeiro dia de primavera, eu estava revolvendo o cascalho da grama. Estava difícil, e eu comecei a reclamar. Quando eu me dei conta do meu pensamento, mudei para “obrigada”. Lembro-me de que realmente queria limpar o jardim e queria a primavera. A prática da gratidão, para mim, é deixar os pensamentos partirem e dar boas vindas ao momento presente”.
5. Crie um ritual familiar simples. “Em nossas famílias, a cada noite quando jantamos, dizemos os nossos “obrigados”, diz Greenspan. Não é nenhum tipo de prece formal, apenas a gratidão que sentimos no momento, e isso é tudo. Isso nos dá retorno, é uma pedra de toque para os milagres da vida que estivemos buscando”.
6. Reverencie a vida. “Eu faço três reverências (curvar-se) pela manhã, diz Hathaway. “A primeira é para a minha pessoa, como parte do universo. A segunda é para a minha família, filhos e amigos, para reconhecê-los e valorizá-los. A terceira é para a força da vida universal e seu significado. Isso me ajuda a deixar o controle e, ao contrário, abrir-me para o fluxo da vida.”

Bênçãos de um coração gentil para você;
Bênçãos dos olhos da compaixão para você;
Bênçãos da doação para a terra sobre você;
Bênçãos da sabedoria das estações para você;
Bênçãos da livre respiração para você;
Bênçãos deste momento para você.

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